Turismo de Natureza, Actividades de lazer, Aventura, Radical - Vila de Rei, Mação, Sertã Alojamento local em espaço rural - Vila de Rei, Mação, Sertã, Sardoal, Castelo de Bode - Turismo de Natureza Opções & Alternativas - English Version
Parte II – PERU (da fronteira do Equador a Lima)


A América do Sul é uma paixão. Temos viajado muito pelo Equador, Peru e Chile - desde os sitios mais conhecidos aos mais recônditos. Caso queira trocar experiencias ou conhecer mais sobre estes países (o que fazer e visitar)  deixamos o nosso e-mail: opalternativas@iol.pt (Eduardo ou Elisabete) 

De Cuenca partimos para o Peru. Mais 8 horas de autocarro. A viagem é sempre feita a grande velocidade. Os motoristas são tão hábeis quanto imprudentes, as curvas são feitas à moda da Fórmula 1 e as ultrapassagens são no mesmo estilo, ninguém parece ter medo e até é algo divertido. Raro é dia que não vai um autocarro pela ribanceira abaixo e o resultado é quase sempre pesado, mas tudo isto faz parte da cultura local. Os autocarros embora de aspecto envelhecido no exterior foram quase todos revistos interiormente, motores novos, bons travões e é importante avisar, um sistema de áudio e vídeo capaz de acordar um morto ou matar um vivo. Durante o percurso para o Peru a paisagem vai mudando à medida que nos aproximamos da costa. Primeiro montanhas, depois floresta tropical e finalmente planície coberta com a segunda riqueza do país, as bananas.

A passagem da fronteira faz-se em Huaquillas uma das mais perigosas da região. Tudo o que vemos nos filmes passados na América Latina é aqui verdade. Atravessamos uma pequena cidade com milhares de pessoas que se chocam, que perguntam, apertam e se possível roubam, oferecendo tudo no meio de uma enorme confusão. E no meio disto é preciso encontrar a alfândega do Equador, descobrir a alfândega do Peru e arranjar um táxi para seguir para Tumbes que está a 20 km da fronteira. Só vivido, contado não se acredita. O motorista começou por pedir 5 dólares, depois 10 e finalmente à chegada 15 e mais 1 para ajuda da gasolina. Estão a ver!

Em Tumbes fomos para o hotel Costa do Sol onde nos refugiámos, pois a cidade é tão perigosa que o recepcionista nos aconselhou a não sair à noite. Desobedecemos, não nos aconteceu nada mas o ambiente não é convidativo. Devemos recordar que a maioria dos turistas que viajam nestes países são levados ao colo para todo o lado, o que se por um lado evita quase todo o tipo de problemas, lhes retira todo o contacto com a realidade.
No dia seguinte fomos visitar os manglares que os roteiros descrevem como a maravilha da região. Aluga-se um barco e internamo-nos por uma série de canais ladeados de uma vegetação específica onde vivem milhares de aves, crocodilos marisco e outras espécies. Vale pelo insólito e pelo exótico. Resta acrescentar que esta paisagem é característica do norte do Peru e prolonga-se pelo sul do Equador. Peixe e marisco (caranguejos vermelhos e pretos e amêijoas negras) por todo o lado. Mal comparada a paisagem é um pouco semelhante à Ria Formosa no Algarve, pois também comunica com o mar, só que aqui as águas são mais quentes.

De Tumbes seguimos para Punta Sal. Este balneário é o mais famoso do Peru e está situado a cerca de 80 km a sul de Tumbes. É como se fosse uma espécie de Costa da Caparica há 50 anos com a diferença de que toda esta área é um deserto atravessado pela célebre Panamericana, que para os que não sabem já vem dos Estados Unidos, atravessa todos os países da América Central e segue para a América do Sul através da Colômbia, Equador e Peru, terminando no sul do Chile. De vez em quando tem uns ramais para acesso a locais paradisíacos, como é Punta Sal. Passa-se uma vedação e entra-se noutro mundo. Boa comida, bom serviço, boa cama, bom ambiente, boa água quente no mar, piscina, etc. Aqui descansámos 3 dias seguindo depois para Chiclayo, de onde supostamente seguiríamos para o interior. O nosso programa era tomar o rio Huallaga em Yurimaguas e seguir até Iquitos. É um percurso que não é muito utilizado em termos turísticos, tal como outros em vários rios desta região amazónica, precisamente pelos elevados riscos de toda a natureza que envolve. Mesmo assim estávamos na disposição de os correr mas todas as informações recolhidas levaram-nos a ponderar.

 Para chegar a Chiclayo foram mais 9 horas de viagem com deserto dos 2 lados e passagem por Piura, uma cidade do norte do Peru, enorme, com um movimento estilo salve-se quem puder, com autocarros, carros, carrinhas e triciclos por todo o lado. Quando chegámos, cerca da meia-noite ao hotel em Chiclayo os recepcionistas reconheceram-nos, pois já lá tínhamos estado em 2005. Ainda sobre a visita à selva estivemos numa loja de um natural do Tarapoto que vende produtos específicos da selva o qual nos advertiu que não fossemos pois as coisas estavam mesmo más e poderíamos ficar bloqueados e isso seria o mínimo. Descansámos um dia e seguimos para a Cajamarca que era a alternativa programada para uma eventual dificuldade até por ser uma zona muito referida nos roteiros e nos ter sido recomendada. A viagem para a Cajamarca durou 8 horas e foi muito penosa pois os mais de 200 km do percurso são em curvas sucessivas e sempre a subir até quase aos 4000 metros. Para quem saiu do hotel às 5 da manhã quase sem comer, uma tão súbita diferença de altitude foi de arrasar.

É justo informar os nossos leitores de que perante o nosso sofrimento os outros passageiros foram extremamente solidários oferecendo rebuçados, pastilhas, etc. Estes autocarros de longo curso tem uma separação do habitáculo do motorista para os passageiros. À frente vai o motorista mais outro motorista para o render e neste caso uma simpática hospedeira que me cedeu o seu lugar e me deu um saco de plástico para estas “eventualidades”. Sentado ao lado do motorista fiz mais de 100 km numa estrada de montanha que acompanhava um lindo e caudaloso rio e ai pude avaliar o nível de condução destes homens. Tendo em conta o perfil da estrada, o cruzamento com pesados, as curvas e os precipícios a 1 metro da berma e considerando que são veículos com 2 eixos traseiros este motorista faria maravilhas nos nossos ralis.

Chegámos à Cajamarca, que fica num vale, pelas 3 da tarde. Fomos descansar e no dia seguinte partimos à aventura pela cidade que é muito histórica, pois tem uma monumentalidade herdada dos primeiros tempos coloniais e muitos vestígios do passado Inca e pré inca. Foi nesta cidade que o Inca Ataualpa encheu uma enorme divisão de ouro para pagar a sua libertação ao conquistador Piçarro e mesmo assim não escapou. Devemos esclarecer que o facto de Piçarro não ter cumprido a sua palavra ainda hoje é referido com um misto de tristeza e rancor. À vista do local imaginamos a riqueza que ali se concentrou e podemos calcular o que a conquista do Peru significou para a Espanha. A cidade tem um enorme movimento e percebemos que há muita coisa interessante para ver nos arredores, e aqui arredores significa cerca de 100 kms.

No hotel onde ficámos estavam muitos estrangeiros que utilizavam muitas carrinhas Toyota para excursões a lugares quase inacessíveis das montanhas. Quem vir no mapa a localização de Cajamarca confirma que é um ponto de irradiação para outras zonas do Peru. Alugámos também uma viatura e demos uma volta pelo essencial, nomeadamente pelos Banhos del Inca, estrutura termal muito importante, com centenas de frequentadores diários, vindos de todo o Peru. São águas com elevadas temperaturas (78ºC) e com efeitos clínicos espectaculares. Também visitamos todos os monumentos da cidade e uma quinta dos tempos coloniais. Para não se repetir o calvário de voltar pelo mesmo caminho, optámos por seguir para Lima de avião. Tínhamos uma indicação dos valores dos voos internos no Peru de cerca de 80 dólares, só que a Cajamarca é uma excepção pelo que cada voo custa 150 dólares, foi uma surpresa “agradável” a que se juntou o facto de estarmos 4 horas no aeroporto e no final disseram-nos que o voo fora cancelado por condições meteorológicas adversas. Como já eram 17 horas e o aeroporto fecha às 18 horas, toda a gente teve que se orientar para o dia seguinte. Lá voltámos para o hotel onde por amabilidade nos deram a suite presidencial. Presente envenenado porque como as celebrações do Carnaval começaram essa noite, e o quarto dava para a Praça de Armas onde se encontravam milhares a rufar tambores pelo que a noite foi de arrasar. Às 6 da manhã quando saímos para o aeroporto ainda estavam a batucar. Mais uma longa espera e o avião lá apareceu como o D. Sebastião do meio das nuvens. Como voa a baixa altitude pudemos apreciar a paisagem de cima para baixo, e para os lados, pois as altitudes são na ordem dos 4/5 mil metros. Por essa razão pudemos apreciar toda a gama de paisagens que ilustram a natureza do Peru. Finalmente chegámos a Lima onde por força das circunstâncias ficámos 5 dias que a seguir se descrevem na III Parte.

© opções & alternativas | 2004 - 2010 | Trutas - Vila de Rei | Alvará DGT 21/2004