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Parte I - Experiências vividas na viagem ao Equador e Peru


A América do Sul é uma paixão. Temos viajado muito pelo Equador, Peru e Chile - desde os sitios mais conhecidos aos mais recônditos. Caso queira trocar experiencias ou conhecer mais sobre estes países (o que fazer e visitar)  deixamos o nosso e-mail: opalternativas@iol.pt (Eduardo ou Elisabete)

Janeiro/Fevereiro de 2007

 Parte I - EQUADOR

Aeroporto de Quito 20 horas locais. Após 16 horas de voos, espera em Barajas e mais 2 horas de operações burocráticas chegámos finalmente ao exterior do aeroporto. Quando visitamos pela primeira vez um país, como foi o caso do Equador reservamos com antecedência alojamento para o primeiro dia. Só que por lapso o Hotel onde tínhamos reservado tomou nota de outra data em que foi para o aeroporto à nossa espera e logicamente não estávamos lá. Como não aparecemos cancelaram a reserva. E assim, vimo-nos à porta do aeroporto tristes e sós, já noite, cercados de n propostas para nos levarem para aqui e para ali. Ainda estávamos a pensar o que fazer e chega ao pé de nós uma menina muito simpática que diz: - Está aqui a amiguinha Palmira que resolve tudo. Encurtando: Chamou um táxi para nos levar a um sítio, disse ao motorista quanto custava a corrida e desejou-nos boa viagem. Serviço limpo.

Atravessámos Quito (1 hora de táxi) e deixou-nos à porta do Albergue-Inn.

Por sorte ainda era muito mais barato do que o Hotel que inicialmente tínhamos contratado.

 

Há quem diga que isto é imprudência e de certo modo é verdade. Mas também é verdade que para estas coisas e outras piores que já nos aconteceram e vieram agora a acontecer, o olfacto (sexto sentido) é que manda.

Na sequência de anteriores viagens à América do Sul que realizámos, esta agora é a 6.ª e teve por objectivo conhecer o Equador e parte norte do Peru, e isto porque nos faltava esta zona para completar o conhecimento da América do Sul. Como sempre estabelecemos o nosso próprio programa, o que implica alguma dose de aventura e risco pois nestes países as coisas não funcionam como na Europa.

Uma das características que dão colorido às nossas viagens é o contacto com o imprevisto e a superação dos problemas que este implica

 

Sendo o conhecimento das realidades destes países uma das nossas maiores motivações, iniciámos no dia seguinte a visita a Quito acompanhados de Henrique, um guia nativo. É uma cidade imensa com cerca de 2 milhões de habitantes, situada num vale que se estende entre montanhas até ao infinito que nos surpreendeu pelos seus monumentos, pela paisagem envolvente, e sobretudo pela simpatia dos seus habitantes que são hospitaleiros e amigos. Sucede que por inúmeras razões podem em determinadas circunstâncias alterar o seu comportamento e tornarem-se imprevisíveis, isto para além do facto da criminalidade ser elevada e a segurança depender muito do facto de estar à hora certa no lugar certo e com as pessoas certas. Mas a verdade é que felizmente nunca tivemos quaisquer problemas.

 

Nesta visita ao Equador para além de Quito que é património mundial, visitámos mais 2 grandes cidades, Riobamba e Cuenca, sempre utilizando transportes públicos que é a forma mais barata e também a mais arriscada, mas que é a que permite um melhor conhecimento do país.

 

Em viagem de 6, 8, 10 e mais horas conhece-se muita gente. Passa-se por muitos locais e fica-se a saber muita coisa que noutras condições é completamente impossível.

A nossa visita ao Equador coincidiu com a tomada de posse do novo Presidente da República Rafael Correia, o que nos permitiu assistir a algumas cerimónias e seguir outras pela televisão e jornais.

O que vimos e lemos leva-nos a acreditar que estamos no início de uma nova época histórica na vida da América do Sul. Para melhor ou para pior, não arriscamos. Mas para os curiosos de outros detalhes digamos que o país merece ser visitado – deveríamos ter lá estado mais tempo. Tudo quanto se relaciona com a Natureza tem aqui valores muito elevados pois o Equador reúne num território 3 vezes Portugal quase toda a riqueza natural da América do Sul. Tudo quanto é acidentes geográficos imagináveis, floresta amazónica, vulcões, rios, montanhas etc., está lá.

 

Perto de Quito há duas visitas que se consideram obrigatórias. Otavalo e “Mitad del Mundo” – Linha do Equador. Não consideramos a primeira indispensável, mas a segunda é para ser realizada pois tem muitos motivos de interesse, nomeadamente o facto de existirem duas linhas em que uma foi definida por métodos científicos recentes, e a outra por estudos ancestrais e parece que a segunda é que está certa.

 

Uma das marcas que o país nos deixou foi o desfile de Folclore em Riobamba (festa religiosa anual) onde se apresentam mais de 50 grupos originários de todo o país, incluindo da Amazónia, em que uma índia dança com uma jibóia com mais de 4 metros enrolada ao corpo. Este Festival a que só por sorte tivemos oportunidade de assistir é de facto um espectáculo memorável demonstrativo da alma, usos e costumes equatorianos. também o célebre comboio do “Nariz do Diabo” que durante 8 horas corre por profundas gargantas dos Andes é irrecusável. É uma autêntica saga vivida num tejadilho de um vagão com precipícios sempre ao longo da viagem. Desta vez ocorreram 2 descarrilamentos que fizeram a delícias dos mais de 200 turistas que nele seguiam, até pela forma curiosa utilizada para repor a carruagem nos carris

 

A visita à cidade de Cuenca (250 mil habitantes) para onde seguimos de autocarro após a viagem de comboio, revelou mais uma vez o nosso “olfacto”, pois sem querer fomos parar a um hotel que pertence ao Dr. Hernan Plaza, ex-Ministro do Turismo do Governo anterior o que nos permitiu conhecer muito melhor a cidade dada a grande simpatia com que fomos recebidos pois este senhor prontificou-se a acompanhar-nos mostrando-nos o melhor da cidade e dos seus arredores. Para os interessados em visitar o Equador, Cuenca e os seus arredores são visita obrigatória quer pelos seus monumentos, história, Museus, artesanato (trabalhos em ouro, prata e cerâmica) e paisagem envolvente, e também por ser uma cidade muito limpa e segura. Para os interessados o hotel é o Dona Ana, é confortável, somos bem recebidos e está situado a apenas 100 metros do centro da cidade.

Aos visitantes de Cuenca sugere-se que a utilizem como ponto de partida para a selva que fica a apenas 4 horas e lá existem numerosos e qualificados alojamentos que incluem visitas guiadas ao interior da Amazónia. A propósito deveríamos ter optado por visitar a Amazónia pelo Equador e não pelo Peru, pois quando o quisemos fazer já não foi possível por muitas razões, entre as quais falta de segurança, deslizamento de terras e inundações.

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